Estava hoje esperando pacientemente meu ônibus, ouvindo música. Aquela chuvinha linda, maravilhosa, boa pra dormir o dia inteiro, me obrigava a ficar na casinha da parada de ônibus junto com as outras pessoas que lá estavam. Não que eu me incomode em ficar perto delas, o problema é que eu tive que ficar BEM perto delas, pois a chuva vinha de lado e seu eu não ficasse mais pro meio da parada me molhava toda.
O problema maior, na verdade, são as pérolas que aparecem neste tipo de aglomerações. Ah, esqueci de mencionar, eram três mulheres, donas de casa, na faixa dos seus 30 a 40 anos. E hoje, como não podia falhar, ouvi algumas. Estavam falando da chuva, que não secava as roupas e blá blá blá, assuntos que não me interessam.
Ouvi elas falando de máquina de lavar até chegar o ônibus. Quando chegou me meti na frente e entrei primeiro. Não agüentava mais aquele papo. Mas sobre o que elas estavam falando? Sobre máquina de lavar que faz tudo. Sim, você leu certo, elas estavam discursando como era bom os “tempos de hoje” (papo de velho neh), e que uma delas queria comprar uma máquina de lavar que faz tudo. O.o
Minha nossa senhora, uma máquina de lavar que faz tudo! Tipo, você vai tomar banho neh, daí tira a roupa, joga no chão e no segundo depois , punf! desaparece. E mais alguns instantes depois ela reaparece dentro do seu armário, dobradinha, passada e perfumada. Meu santo Yoda. Pra mim, uma máquina que faz tudo seria como a empregada robô dos Jetsons. Até brigar com as crianças ela briga. E uma máquina de lavar que só LAVA e CENTRIFÚGA a roupa ganha status de “faz tudo”. Só por Spock mesmo.
Sinceramente, depois de me irritar, da irritação passar, de eu aumentar o volume do meu inseparável amigo, o iPod, eu acho graça disso. Às vezes aparecem essas pérolas, ditas com a solenidade de uma filosofia, que só é possível achar graça, pois se tentar argumentar passa por grosso, ou “essa juventude pensa que sabe tudo”, como se idade fosse sinônimo de conhecimento. Eu desisto, fico na minha que ganho mais.








Homens, pelo menos os que eu conheço (tirando uns poucos onde meu namorado está incluso, Yoda seja louvado) não dizem, mas se comportam como se os pormenores da vida doméstica não fossem assunto deles. Podem até lavar louça, mas o fazem achando que estão “ajudando a esposa/mãe”. Algumas pessoas ainda discursam aquele papinho medíocre onde subliminarmente incluem suas idéias atrasadas: “Existem trabalhos de homens e trabalhos de mulheres”.
Essas malucas com a vida sexual atrasada pregam a igualdade entre os sexos. Eu, por outro lado, não busco isso. Não estou me omitindo da “luta pelos direitos iguais”, e gostaria sim que vivêssemos num mundo igualitário. Contraditório? Péra que eu explico. Acredito que devíamos ver as pessoas como PESSOAS apenas, e não classificá-las antes em homens e mulheres. Quando você faz este tipo de classificação, você começa a separar as pessoas, a esperar certas coisas de um grupo e outras do outro grupo. Porque você pensa que “isso uma mulher entenderia” ou “aquilo um homem me esclareceria melhor”. Mas quando você consegue se livrar destes “penduricalhos”, como é citado no livro