O lugar estava deserto, mas eu sentia cheiro de comida. Comida boa, aliás. Deduzi que pelo cheiro devia haver alguém cozinhando e, depois de muita procura, poderia obter alguma informação sobre aquele lugar.
Haviam várias barraquinhas, todas com fogões e panelas em cima, com o fogo aceso. Algumas tinham comida em cima do balcão, mas nem sinal de pessoas. Já passava das quatro da tarde e eu estava morrendo de fome.
A primeira vista parecia uma feira, então, obviamente aqueles pratos em cima do balcão seriam para a venda. Exausto e faminto, pensei com a lógica de um retardado que eu poderia pagar depois pela comida que eu comeria. E parti pra cima dos pratos.
Coxinhas de frango assadas, ensopadas, carne bovina assada e ensopada também, arroz, legumes… Tudo parecia delicioso, como se eu nunca tivesse comido essas coisas antes. Tinham um sabor diferente de tudo que eu já havia provado, e quanto mais eu comia, mas sentia fome.
Fiquei comendo por um tempo, sem noção de que estava anoitecendo. Com a noite vieram sombras. Esquisitas, não tinham formato humano. Se moviam como se estivessem flutuando, como se a sombra fosse a sua própria forma, e não somente a projeção de algo.
De repente me senti estufado. Porém não consegui parar de comer. Minhas roupas rasgaram, senti que estava inchando. A este ponto minha gula era tão grande que já não comia usando talheres, pegava a comida dos pratos com a boca mesmo. Até porque não conseguiria utilizar talheres, uma vez que minhas mãos e pés haviam se transformado em patas de porco.
Baseado no belo filme “A viagem de Chihiro”











