Há um mês planejava isso. Comprara todas as ferramentas necessárias: aventais, plásticos, jornais, martelo, prego, serrote. Tudo o que seria necessário para não fazer sujeira. Só queria poder encontrá-la novamente… Mostrar a ela que não estava certo tratá-lo assim. Mostrar o que poderia fazer com as ferramentas certas.
Ela o ignorava havia um tempo. Haviam discutido por alguma coisa mínima que ele já nem lembrava mais o que era. Mas se lembrava muito bem do sentimento de raiva que ficou quando ela o insultou. Só o que ele queria era mostrar a ela seus talentos com o serrote e o martelo…
Preparou toda a sala: forrou o chão com jornal e nas paredes pendurou os plásticos em cordas de pendurar roupa. Vestiu o avental e montou sua mesa: serrote, martelo, pregos.
A campainha tocou. “É ela”, pensou. Respirou fundo e caminhou a passos largos em direção a porta. Ela estava com a mesma roupa de sempre: terninho preto básico, com a pasta executiva em baixo do braço.
- Não tenho muito tempo – disse ela passando rapidamente por ele porta adentro. – O que você quer me mostrar?
- Venha por aqui, por favor. – e fez um gesto em direção a sala no final do corredor. A sala que ele havia preparado, na qual seria definido o seu futuro.
- Ok, aqui estamos. E então?
Então ele pegou o serrote. Depois o martelo e pregos. Alternava entre um e outro, com extrema precisão, apesar do nervosismo. Não ouvia nada, o único som que ouvia era um zumbido. E ao longe, os protestos dela.
Após muita luta, ele terminou. Estava exausto. Muita pressão, muita ansiedade. Mas terminou. Secou a testa, que estava empapada de suor e olhou para o resultado do seu trabalho. Estava orgulhoso. Havia se livrado daquilo que estava lhe corroendo a alma durante um mês. Só tinha que limpar a sujeira.
- Está contratado! – após um longo silêncio, analisando o resultado, ela disse. Então pegou a sua pastinha de executivo e foi embora do mesmo jeito que entrou.











