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03
dez
Postado por Paulinha

I woke up and realized that I was alone.

Everything was dark. I couldn’t see anything around me, nothing.

I couldn’t remember how I got there.

Until I felt something. Wasn’t something fisic, just a feeling. But I felt.

Was like if someone else were there too, watching me.

I couldn’t move, speak, nothing. Just was there, lying down, tied in to the bed.

And, the thing was there too, only for watch my desperate.

Testing me.

Waiting until when I would stand alive.

a

*testando meu inglês sofrível. Se escrevi alguma besteira, please, let me know.

*inspirado no ótimo livro do King, Jogo Perigoso. O único livro que me fez ter vontade de vomitar.

*primeira parte *segunda parte *terceira parte

A luz da lanterna piscou, como se estivesse sem bateria. O ar ficou quente e estagnado. Pensou em voltar para o seu quarto, como se lá fosse o lugar mais seguro. Mas não conseguiu.

A luz da lanterna finalmente apagou. Ele deu um passo para trás, no susto. O silêncio da casa era tão profundo que até o seu batimento cardíaco parecia ser muito barulhento.

A princípio ele não entendeu o que estava acontecendo. Sentiu uma coisa gelada e gosmenta agarrar seu pé direito e puxá-lo para a frente, derrubando-o, em direção ao final do corredor, onde anteriormente havia aquela porta medonha.

Tentou gritar, mas não conseguiu. Até a própria voz havia lhe abandonado. A coisa puxava-o tão rápido e violentamente que ele não conseguiu encontrar um ponto de apoio.

Foi quando ele viu a porta novamente, porém desta vez estava totalmente aberta, revelando um outro corredor, e no final dele uma outra porta, de onde escapava uma luz vermelha e bruxuleante.

Quando atravessou a porta, não conseguiu ver nada. Estava tudo tão escuro, e a luz vermelha no final do corredor era muito fraca. A coisa ainda puxava-o pelo pé, e parecia estar ainda mais rápido. Só entendeu o motivo quando pôs a mão no chão e notou algo viscoso por todo o lugar. Tinha um cheiro de podre horrível, como nunca havia sentido antes, nem dos animais que morriam perto da sua antiga casa, e que ele tinha o estranho hábito de ir brincar com eles. Foi quando começou a ouvir.

O primeiro grito era um pedido de socorro, de uma mulher. Um grito desesperado, cheio de dor e agonia, que implorava pela morte, e não por sua libertação. O segundo era de um homem. Mas já era um grito cansado, sem palavras, quase um gemido. E a medida que a coisa arrastava-o em direção a porta com a luz vermelha, outros gritos se misturavam aos da mulher e do homem.

A esta altura ele já havia se entregado ao desespero. Tentava lutar, mas a coisa puxava a sua perna com tanta força que parecia que ia arrancá-la.

Finalmente chegou perto da porta o suficiente para a luz que escapava dela poder iluminar um pouco o corredor. E então entendeu o porque do cheiro de podre e a viscosidade do chão: todo o lugar estava tomado de sangue, já apodrecendo, e nos cantos, restos do que um dia foram pessoas. Dezenas delas.

Mas a luz também revelou outra coisa, talvez mais medonha do que a visão do corredor: seu raptor. Sua forma lembrava a de uma pessoa, mas aquilo deixada de ser humano havia muito tempo. A pele, toda queimada e com erupções, tinha uma aparência viscosa, em tons de verde. A postura era a de um macaco, e com uma imensa corcunda. Os braços eram desproporcionais. E a respiração era pesada, difícil, que mais parecia um ronco.

Atravessando esta última porta ele pôde ver de onde os gritos surgiam. Haviam centenas, milhares de pessoas amontoadas, desesperadas, dentro de uma imenso buraco. E haviam, para cada pessoa, dez criaturas. Essas criaturas desmembravam, violavam, se alimentavam das pessoas, divertindo-se. E às pessoas só restava gritar, como se assim a morte pudesse chegar mais rápido.

E foi neste abismo que a coisa jogou-o. Logo em seguida, várias criaturas, sedentas por carne nova, já arrancaram-lhe as roupas, os cabelos, os membros. Porém, a cada membro arrancado, cada órgão, eles apareciam novamente em seu corpo. E as criaturas arrancavam-os novamente. Isso se repetiria eternamente. Foi quando, em um lampejo, entendeu o porque de algumas pessoas não gritarem mais, e o porque do grito daquele homem parecer tão cansado.

O resto da sua sanidade desapareceu assim que seu raptor fechou a porta por onde havia entrado, e seu grito de agonia juntou-se aos milhares.

*primeira parte *segunda parte

Depois que comeu seu almoço, sentou-se no sofá para assistir um pouco de TV. Ainda não sabia direito o motivo de não ter contato para o seu pai sobre o que aconteceu noite passada. Talvez medo de que ele não acreditasse, ou algo do tipo. E, nem ele mesmo estava convencido completamente de que algo realmente havia acontecido.

Como era sábado e havia dormido até o meio-dia, à noite a regra era ficar acordado até as quatro da madrugada, navegando na internet. E a intenção era esta mesma, porém, quando chegou à meia-noite, ele se lembrou da noite passada. Munido de muita curiosidade e um pouquinho de medo, juntamente com seus colegas de madrugada chamando-o de maricas, ele saiu do quarto para dar uma espiada no corredor. Porém, como estava muito escuro, não conseguia enxergar o queria ver: o final do corredor.

Saiu do quarto e foi caminhando pelo corredor, com o coração querendo pular do peito e a respiração ofegante. À medida que ia chegando mais perto do seu destino mais essa sensação ia aumentando, e a coragem ia diminuindo.

Finalmente chegou ao banheiro. A este ponto, tudo parecia até meio surreal, de tão apavorado que estava. E o estranho é que nem sabia o porquê disso. Enfiou a mão dentro do banheiro e, por um breve momento considerou o que era pior: acender a luz e ver novamente aquela porta ou manter-se no escuro, sem vê-la, mas também vulnerável a qualquer coisa que pudesse sair.

Decidiu por acender a luz e descobrir logo o que era aquela porcaria toda. – É a minha casa, porra! Quando acendeu a luz, acabou descobrindo que o que viu a noite passada não foi alucinação – a porta estava ali novamente.

Por um momento sentiu-se preso dentro do próprio corpo, como se este fosse uma jaula, e ele um pássaro com asas muito grandes. Ficou petrificado de pavor, e todos os pensamentos de curiosidade e coragem que povoaram sua mente momentos antes sumiram, como se tivessem ficado no quarto, na tela do computador.

Neste momento, onde até a sua respiração parecia ter-lhe abandonado, pensamentos, imagens, teorias passavam por sua cabeça. E todos eles envolviam morte, tortura e dor. Até que, em um impulso de coragem e irresponsabilidade admitida, decidiu: – Vou abrir essa porra dessa porta!

A princípio não conseguiu ver nada, estava muito escuro e ele só havia aberto um pouco a porta, para tentar espiar. A única luz que tinha era a do banheiro, porém não adiantava muito. Entendeu que teria que abrir mais para a única luz poder iluminar o que quer que fosse aquilo.

Então se lembrou que seu pai havia lhe dado uma lanterna assim que foram morar nesta nova casa. Então voltou a fechar a porta e correu para o quarto para procurar o objeto. A esta altura já não estava sentindo mais medo, mas um misto de excitação e curiosidade.

Quando encontrou a lanterna voltou rapidamente para o corredor. Enquanto ia em direção à porta misteriosa, sentiu um cheiro estranho. Cheiro de coisa morta, de comida estragada, de estrume, de terra, tudo misturado. Sentiu o ar pesado, quente. E sentiu que não era mais o único a andar pela casa naquele momento.

Chegando ao final do corredor, deparou-se com o quadro. A porta havia sumido. Com o coração batendo forte de decepção e ao mesmo tempo de pavor, notou que o quadro não era o mesmo. Antes, um menino dentro de um quarto olhando para um dia claro, de céu azul e sem nuvens, através da janela. Agora, o menino estava olhando para ele, com uma expressão de pavor no rosto, e não era mais dia.

*continua…