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19
ago
Postado por Paulinha

Ontem à noite eu estava jogando vídeo-game quando ouvi latidos do meu cachorro. Foi quando me lembrei que minha mãe havia me pedido para colocar ração para ele, porque meus pais só voltariam no dia seguinte.

Pausei o jogo e fui alimentar o cão. Estava fazendo um frio danado naquela noite e ventando muito. Hesitei por alguns instantes em sair de casa, já que o canil do dog fica no final do terreno, depois da garagem, que fica separada da nossa casa. Porém me obriguei a ir por pena do cachorro, afinal ele não tinha culpa do mau tempo, e, aliás, ir ser pior ainda pra ele ficar naquele frio e com fome.

Coloquei meu boné e minha jaqueta azul gorda e saí. Abri a garagem para pegar a ração quando ouvi o cachorro chorando. Achei estranho mas não liguei muito pois achei que ele estivesse com bastante fome, por isso o choro. Mas de repente parou de chorar.

Saí da garagem com o saco de ração na mão e chamando ele pelo nome, mas não ouvi nenhum latido ou choro, nada. Cheguei perto do canil e não o encontrei. Comecei a ficar preocupado. Abri a porta do canil e espiei dentro da casinha e não encontrei ele. Para onde ele poderia ter ido? Ou melhor, como ele poderia ter ido para algum lugar se o canil estava trancado?

Foi quando o vento parou. A sensação térmica aumentou por causa do ar estagnado. Tirei a jaqueta pois não agüentei mais o calor. No final do nosso terreno, depois do canil, tem uma parte grande onde tem bastante mato e a horta do meu pai. Achei que, não sei como, o cachorro poderia ter ido para aquela parte. Abri a portinha e entrei, chamando-o alto pelo nome. Nem sinal dele.

De repente um barulho extremamente alto que abafou minha voz. Um som metálico, inconveniente, daqueles que você se irrita apenas ouvindo por alguns instantes. E eu meu irritei logo no início. Não sabia eu que minha noite ia ser bem longa desta vez.

Aquele som foi aumentando de volume, como se estivesse chegando mais perto. Procurava por todos os lados, com as mãos tentando proteger os ouvidos, a origem daquele som. Foi quando do nada uma luz fortíssima se acendeu acima de mim. E tudo a minha volta foi perdendo a cor até desaparecer. Quando finalmente consegui distinguir alguma coisa, estava em outro lugar. Uma sala muito branca, sem móveis, sem sons e umas criaturas sem boca olhando curiosamente para mim. Eu não sei como sabia que estavam extremamente curiosos, não tinham expressão facial, nem sobrancelha nem nada, mas podia sentir isso vindo deles. Me apavorei e tentei sair dali, mas não conseguia me mover. Na verdade não conseguia nem ver meu próprio corpo, o que me deixou mais apavorado ainda. E esta é a última lembrança que eu tenho.

Acordei com minha mãe me chamando. Sentei na borda da cama e tentei me lembrar de como vim parar na minha própria cama, minha jaqueta dentro do guarda-roupa e meu boné em cima do meu notebook. E o vídeo-game desligado. Abri a porta e encarei minha mãe, que me agradeceu por cuidar tão bem do cachorro, dado comida e banho nele.

*Este conto é dedicado ao meu namorado, que quando ficamos sozinhos deixa pra alimentar o cachorro dez da noite.

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