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03
dez
Postado por Paulinha

I woke up and realized that I was alone.

Everything was dark. I couldn’t see anything around me, nothing.

I couldn’t remember how I got there.

Until I felt something. Wasn’t something fisic, just a feeling. But I felt.

Was like if someone else were there too, watching me.

I couldn’t move, speak, nothing. Just was there, lying down, tied in to the bed.

And, the thing was there too, only for watch my desperate.

Testing me.

Waiting until when I would stand alive.

a

*testando meu inglês sofrível. Se escrevi alguma besteira, please, let me know.

*inspirado no ótimo livro do King, Jogo Perigoso. O único livro que me fez ter vontade de vomitar.

16
mar
Postado por Paulinha

Há um mês planejava isso. Comprara todas as ferramentas necessárias: aventais, plásticos, jornais, martelo, prego, serrote. Tudo o que seria necessário para não fazer sujeira. Só queria poder encontrá-la novamente… Mostrar a ela que não estava certo tratá-lo assim. Mostrar o que poderia fazer com as ferramentas certas.

Ela o ignorava havia um tempo. Haviam discutido por alguma coisa mínima que ele já nem lembrava mais o que era. Mas se lembrava muito bem do sentimento de raiva que ficou quando ela o insultou. Só o que ele queria era mostrar a ela seus talentos com o serrote e o martelo…

Preparou toda a sala: forrou o chão com jornal e nas paredes pendurou os plásticos em cordas de pendurar roupa. Vestiu o avental e montou sua mesa: serrote, martelo, pregos.

A campainha tocou. “É ela”, pensou. Respirou fundo e caminhou a passos largos em direção a porta. Ela estava com a mesma roupa de sempre: terninho preto básico, com a pasta executiva em baixo do braço.

- Não tenho muito tempo – disse ela passando rapidamente por ele porta adentro. – O que você quer me mostrar?

- Venha por aqui, por favor. – e fez um gesto em direção a sala no final do corredor. A sala que ele havia preparado, na qual seria definido o seu futuro.

- Ok, aqui estamos. E então?

Então ele pegou o serrote. Depois o martelo e pregos. Alternava entre um e outro, com extrema precisão, apesar do nervosismo. Não ouvia nada, o único som que ouvia era um zumbido. E ao longe, os protestos dela.

Após muita luta, ele terminou. Estava exausto. Muita pressão, muita ansiedade. Mas terminou. Secou a testa, que estava empapada de suor e olhou para o resultado do seu trabalho. Estava orgulhoso. Havia se livrado daquilo que estava lhe corroendo a alma durante um mês. Só tinha que limpar a sujeira.

- Está contratado! – após um longo silêncio, analisando o resultado, ela disse. Então pegou a sua pastinha de executivo e foi embora do mesmo jeito que entrou.

21
jan
Postado por Paulinha

Estava fazendo um dia bonito naquela quarta-feira. Sem nuvens, com uma brisa refrescante, dando uma sensação de primavera, mesmo eles estando no meio do inverno.

Realmente era um dia agradável, porém não para ele. Cris estava triste, havia brigado com Natália. Caminhou até a faculdade olhando para o chão, pensando que seu dia seria uma merda.

Não foi. Durante a primeira aula seu colega chegou. O cara que tinha o mesmo nome que ele SEMPRE chagava atrasado. E SEMPRE tinha uma desculpa maluca que fazia Cris rir até doer os cantos da boca.

- Meu cachorro acordou mal-humorado e rasgou toda a roupa que eu tinha separado para usar hoje. Tive que pegar uma suja no cesto…

E após seu colega chegar e lhe contar a história da vez, Cris sorriu pela primeira vez no dia. Colocaram o assunto em dia e, depois de quarenta minutos, resolveram assistir a aula. No intervalo encontraram o Fulano. Sim, ele tinha nome, mas Cris e Cris odiavam-no tanto que achavam que o cara nem merecia ser chamado por um nome.

- Ooooooolha o casalzinho dividindo o lanche novamente! Que cuti cuti! E aí Cris², vão pegar um cineminha hoje ou vão direto pro motel?

Os dois Cris somente davam uma risadinha de escárnio e voltavam ao que estavam fazendo antes. Tentavam não demonstrar, mas odiavam o Fulano mais que qualquer coisa.

- Queria ser invisível para por o pé na frente dele… – disse o Cris que brigou com a Natália no dia anterior.

- Queria ser o Xavier para EXPLODIR a cabeça dele!!! – disse o Cris que tinha um cachorro com TPM e um óculos remendado com esparadrapo.

Após as aulas, os Cris foram cada um para o seu respectivo emprego. Cris número um para a padaria e Cris maluco para a Sex Shop (ele adorava o emprego!). Durante a tarde, Cris atendeu várias velhinhas, que passavam diariamente para comprar pães. – Os pães de vocês são os melhores! – diziam as senhoras sorridentes que passavam por lá todas as tardes, e que faziam Cris ter a sensação de trabalho bem feito.

À noite Cris voltou para casa (o que brigou com Natália, não o do cachorro), jantou com seus pais, conversou um pouco com eles e foi dormir.

Quando pousou a cabeça no travesseiro fez uma retrospectiva de seu dia. Havia acordado triste. Durante a aula se alegrou – não se esquecera de Natália, apenas focara em outros pensamentos. À tarde sentiu-se satisfeito e à noite matou a saudade dos pais, que estavam fora fazia um mês. E isso fez Cris se sentir confuso. Experimentara vários sentimentos durante o dia, teve várias opiniões em diferentes situações, com diferentes pessoas. As senhoras dos pãezinhos acharam que ele estava feliz. Cris, seu amigo, viu que ele estava triste e que foi trabalhar a tarde mais alegre. Já Natália achava que Cris estava chateado.

- Várias opiniões sobre uma mesma pessoa. – pensou. – Várias situações, diferentes sentimentos. Seria eu o mesmo que Natália e Cris conhecem? Ou o mesmo que as senhoras e meus pais viram hoje?

Não soube responder. Mas tivera a sensação de que dentro de si viviam mais de uma pessoa, e que nunca se dera conta disso.