09
nov
Postado por Paulinha

O vento soprava forte naquela noite de quinta-feira, fazendo sons parecidos com uivos, acordando-o. Era uma noite fria de inverno, daquelas que você demora pra se esquentar na hora de dormir, mas que incrivelmente te dá mais vontade de ir ao banheiro.

Acordou assustado e com vontade de urinar. Ainda não havia se acostumado com os sons de uma casa de madeira, pois havia se mudado não fazia nem uma semana. Seu pai insistiu em comprar uma casa enorme, de madeira e no meio do campo, discordando de tudo o que ele queria: um apartamento no centro da cidade. Mas, enfim, era ele quem tinha o dinheiro, então, não havia mais nada que pudesse fazer além de reclamar.

E ainda tinha que ir ao banheiro. Pegou o celular para checar as horas. Depois de olhar, disse para si mesmo: – É claro que não tem sinal aqui, e é claro que é meia-noite. Além de estar completamente isolado e ser inverno, era a hora das bruxas. – Podia ser pior? – pensou.

Sentou-se na cama e apoiou os pés no chão, fazendo o barulho característico da madeira. A cada rangida ele xingava seu pai mentalmente. Porém não foi indignação que sentiu quando abriu a porta do quarto. Foi medo. Não sabia explicar, mas sentiu um pavor que nunca havia sentido, nem quando assistiu O Exorcista, ainda criança, e teve que dormir com os pais.

Um corredor comprido cortava o segundo andar em dois. E o seu quarto ficava bem no meio. Espiou os dois lados, mas não adiantou muito pois tudo estava tão escuro que a falta de luz parecia ter forma.

O banheiro ficava no fim do corredor, do lado direito, na frente do quarto do seu pai. E entre as duas portas, no limite do corredor, ficava um quadro. Um quadro horroroso, por sinal, e que já estava lá quando se mudaram.

- Mais um pouco e eu chego lá. – pensava, enquanto caminhava pelo corredor escuro, pois não havia instalação elétrica ali, apenas nos quartos. Quando chegou a frente da porta do banheiro, já em quase completa escuridão, abriu a porta e enfiou a mão rapidamente, procurando o interruptor. Assim que achou, apertou-o, iluminando o banheiro e boa parte do corredor.

Sentiu-se aliviado, pois podia novamente ver alguma coisa. Mas rapidamente esse sentimento de alívio se foi.

- Esta porta não estava aqui antes… Pensou, nem percebendo que na verdade estava falando, e em voz alta. A porta parecia igual às outras da casa, com a diferença de que não estava ali quando ele fora dormir.

*continua…

Categoria: Loucura, Terror  Tags: , , , ,
Quer deixar um comentário? Fique a vontade!