*continuação deste conto
A porta era igual as outras da casa. Era com se estivesse ali todo o tempo. Mas não estava. Quando ele foi escovar os dentes, antes de dormir, às 22:00h, não estava.
Ficou paralisado de medo e confusão. – Será que estou dormindo ainda? – pensava, porém sem conseguir se mover.
Então lembrou-se do banheiro, bexiga cheia e tal, e correu pra dentro do toalete, trancando a porta. Quando sentiu-se seguro, a respiração voltou, ofegante. Foi quando se deu conta que não tinha conseguido nem respirar, quando estava encarando aquela porta misteriosa.
Fez o xixi mais preocupado de sua vida. E parecia que não acabava mais. Sentia uma sensação de urgência em voltar ao seu quarto, com medo do que houvesse atrás daquela porta – ou o que poderia sair dela.
Inspirou e expirou pausadamente três vezes, se preparando para abrir a porta do banheiro. Abriu-a com extremo cuidado, tentando não fazer barulho, sem saber com certeza o porquê. Talvez por medo de acordar qualquer coisa que morasse naquele quarto.
Abriu a porta e expiou, mas só o que viu foi o quadro na parede. Fechou a porta do banheiro novamente e depois tornou a abri-la, para ter certeza do que via: a porta não estava mais lá. Olhou para o corredor escuro, talvez esperando encontrar algo espreitando, mas não viu nada.
Então decidiu voltar para o seu quarto. – Talvez tenha sido só uma doideira da minha cabeça, tenho que parar de fumar maconha. – pensou, andando pelo corredor vazio e escuro, meio rápido e com a luz do banheiro ainda iluminando onde anteriormente estivera aquela porta medonha.
Entrou no quarto e fechou a porta, sentindo-se extremamente sonolento. Deitou-se e dormiu rápido e pesadamente, esquecendo que deixara a luz do banheiro acesa.
Acordou ao meio-dia, com seu pai lhe chamando pro almoço. Pelo menos ele o deixava dormir até tarde, ao contrário de sua mãe. Desceu, ainda com o cabelo desarrumado e sentou-se à mesa.
- Você entrou no meu quarto ontem, Ju? – perguntou-lhe, servindo-lhe os bifes.
- Não, pai. Por quê?
- Pensei ter visto você fechando a porta do meu quarto. Talvez eu estivesse meio sonolento e imaginei coisas.
- É, pode ser… – disse ele, meio vago, notando que o pai estava com uma mancha escura no braço, como se alguém tivesse apertado com muita força.
- Pai, você se machucou?
- Não que eu me lembre… Por quê?
- E essa mancha no seu braço?
- Não sei, não me lembro de isso estar aqui ontem…











