22
jan
Postado por Paulinha

Ulisses estava nervoso. Estava chegando a hora. Não sabia ao certo se tinha condições para continuar. Mas não havia mais volta.

Suas mãos tremiam, suava frio. O coração pulava no peito, aflito. Olhava para todos os cantos procurando uma distração para que seus pensamentos pudessem lhe deixar em paz, sem sucesso. Olhava o relógio de dois em dois segundos.

Eram três e quinze. O horário marcado era três e meia. O telefone não tocava, nenhum barulho de carro estacionando, nada. Somente o barulho de vozes e gemidos vindos dos outros quartos do motel barato faziam companhia a Ulisses. E a Magnum, é claro.

Não sabia ao certo porque achara importante trazer uma arma quando se planejava fugir com alguém. Nenhum dos dois estava foragido, nenhum dos dois era criminoso. Mas ele resolvera trazer a Magnum do seu pai mesmo assim.

Já era três e vinte e cinco e nada dela aparecer. A este ponto Ulisses já estava andando de um lado para o outro esfregando as mãos e mexendo freneticamente no cabelo. Foi quando ouviu um barulho de carro. O carro DELA.

Correu para fora do quarto do motel e avistou o carro parado no cruzamento. Era necessário ela virar a direita para estacionar no estacionamento do motel. Mas ela estava parada. Não havia semáforo, nem nenhum outro carro passando na sua frente. Estava simplesmente parada.

Foi quando Ulisses percebeu que tinha alguma coisa errada. Começou a andar em direção a ela, balançando os braços para chamar sua atenção, o coração feliz por vê-la mas ao mesmo tempo apreensivo.

Quando ela o viu saindo do motel, se decidiu: não era com ele que ela gostaria de viver. Nem por um tempo. E neste momento sentiu o coração pesar de arrependimento. Virou o volante todo para a esquerda e acelerou, sem se preocupar com nada. Não viu se tinha carro nem pedestre na rua. Só pensava em voltar para casa e implorar o perdão do seu amado marido.

Ulisses tentou correr atrás do carro como um cão abandonado. E foi assim mesmo que se sentiu, um cachorro que foi deixado para trás porque não era mais bem vindo.

Parou no meio do asfalto sem acreditar. Todos os planos, todos os sonhos, todas as tardes fugindo do trabalho, tudo em vão. Tudo para ela desistir no último momento.

Voltou para o quarto de motel arrasado, mas seus olhos estava secos. Sua mão não tremia mais, o coração parou de bater apressado. Entrou no quarto com um só pensamento, e este foi o seu último pensamento.

**inspirado no filme “The Good Girl”, com a Jennifer Aniston e Jake Gyllenhaal. Nomes foram trocados para proteger os envolvidos. ;D

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