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03
nov
Postado por Paulinha

O inverno desse ano não foi dos mais intensos, mas é inevitável que tenha um dia que você acorde tremendo achando que todas as cobertas do mundo não são suficientes.

Acordei  e logo vi que o dia ia ser chato, pelo menos nesses dez minutos em que você levanta e vai até o espelho do banheiro olhar seu rosto morto e o cabelo com varias formas. Tive razão pois logo vi que tinha acordado uma hora mais cedo que o normal. Aproveitei e dei comida pro gato, colhi uns milhos e  tomei um banho. Estava muito frio, mas o banho me animou um pouco.

Na rua tudo estava branco, a geada havia coberto boa parte do pasto e minhas orelhas estavam geladas. A lareira estava acesa e o fogo brilhava em meus olhos, que bom que trabalho em casa.

Minha avó havia acordado umas horas mais cedo sem nenhum ar de reclamação e arrumado toda a mesa para o café. Depois de um tempo percebi que a vida no campo podia ser boa, sem aglomerações, apenas um chalé… uma xícara de café e um computador.

*Traços de um personagem de Stephen King, Mort Rainey em janela secreta.

Conto enviado por Marcelo.

O lugar estava deserto, mas eu sentia cheiro de comida. Comida boa, aliás. Deduzi que pelo cheiro devia haver alguém cozinhando e, depois de muita procura, poderia obter alguma informação sobre aquele lugar.

Haviam várias barraquinhas, todas com fogões e panelas em cima, com o fogo aceso. Algumas tinham comida em cima do balcão, mas nem sinal de pessoas. Já passava das quatro da tarde e eu estava morrendo de fome.

A primeira vista parecia uma feira, então, obviamente aqueles pratos em cima do balcão seriam para a venda. Exausto e faminto, pensei com a lógica de um retardado que eu poderia pagar depois pela comida que eu comeria. E parti pra cima dos pratos.

Coxinhas de frango assadas, ensopadas, carne bovina assada e ensopada também, arroz, legumes… Tudo parecia delicioso, como se eu nunca tivesse comido essas coisas antes. Tinham um sabor diferente de tudo que eu já havia provado, e quanto mais eu comia, mas sentia fome.

Fiquei comendo por um tempo, sem noção de que estava anoitecendo. Com a noite vieram sombras. Esquisitas, não tinham formato humano. Se moviam como se estivessem flutuando, como se a sombra fosse a sua própria forma, e não somente a projeção de algo.

De repente me senti estufado. Porém não consegui parar de comer. Minhas roupas rasgaram, senti que estava inchando. A este ponto minha gula era tão grande que já não comia usando talheres, pegava a comida dos pratos com a boca mesmo. Até porque não conseguiria utilizar talheres, uma vez que minhas mãos e pés haviam se transformado em patas de porco.

Baseado no belo filme “A viagem de Chihiro”

Categoria: Loucura, Viagem  Tags:  Um comentário
19
mar
Postado por Ana

- Quero comprar alguma coisa. Me dá tua opinião?

- Compre um liquidificador novo.

- Nós temos liquidificador!

- E ele tem 5 potencias e para de funcionar na 2ª.

- Bom! Ele ainda funciona na 1ª! Vou comprar uma TV nova.

- Nós temos TV!

- E ela tem uma mancha rosa muito estranha no meio da tela.

- Bom! Nós gostamos de rosa.  Compre um ar condicionado novo.

- Estamos no inverno!

- E é quando os preços de ar condicionados caem.

- Bom! E ele enferruja até o verão. Vou comprar uma cama nova.

- Você tem uma cama!

- Mas você já viu as novas camas box?

- Lindas! Mas venda um dos seus rins para pagar uma. Compre um cachorro.

- Cachorros cagam.

- Você também.

- Mas vai pra um lugar que não é a minha calçada. Você não está me ajudando.

- Desculpe, vou te dar uma ótima opinião agora!

- E qual é?

- Compre nitroglicerina e vá pro inferno.

- Espera…

(inspired by mom)