Arquivos de » setembro, 2009 «

16
set
Postado por Paulinha

“Hoje, 15 de setembro, morre mais um texto na internet brasileira. Em meio a milhões deles, irá se perder como uma boa alma que chega aos céus via uma nuvem de tags.

Este texto não é famoso, nem sequer foi assinado por engano em rodas de e-mail pelo Carlos Drummond ou o Veríssimo. Se pelo menos tivesse uma boceta ou um caralho bem inserido, daria até para passar por engano como um fragmento de memórias do Rubem Fonseca, ou, pra tentar salvar do esquecimento completo, uma masturbação mental do Jabor.

Mas não, ele escolheu o anonimato. Até por sua qualidade literária abaixo da linha da cintura.

Estaria aí talvez a explicação de nunca ter feito parte da coleção Vagalume, não ter conseguido carreira no cinema ou sequer ser o culpado do Bahuan não ter aparecido no final da novela.

Ele é mais um desses pobres deslidos. Nem para bula de remédio quiseram receitá-lo.

Por muita sorte, alguém pode dar com ele sem querer procurando por informações sobre um astro do cinema, um obituário bem mais interessante. A propósito, vide abaixo, Patrick Swayze. E olha quanto desgosto irônico: foram ressuscitar o cara só agora que morreu.

O epitáfio deste texto não poderia ser outro: PONTO FINAL. “

Texto copiado na íntegra do blog Tio Dino – > Aqui o link pro post dele.

Achei muito bem bolado. Se tivesse dito que era do Veríssimo eu teria acreditado.

Categoria: Inutilidades, Viagem  Tags:  2 comentários
09
set
Postado por Paulinha

Era uma vez uma barata infeliz. Ela era infeliz porque queria ser uma joaninha. Achava sua existência de barata muito inútil.

Todos a olhavam com cara de nojo. “Mas eu tomo banho todos os dias”, pensava ela. Não olhavam com cara de nojo pra uma joaninha, mesmo que ela só andasse com aqueles cascudos roladores de m*rda.

Crianças não pegam uma barata na mão e mostram pros amiguinhos. Eles mostram pros amiguinhos como a barata se esborracha debaixo da sola dos seus sapatos.

Joaninhas são coloridas e redondas, parecem uma balinha. Baratas são marrons, compridas e achatadas, e se parecem com côco.

As joaninhas passavam pelas baratas voando e rebolando, balançando seu traseiros redondos e coloridos, e rindo da pobre da barata, que nem voava, de tanta vergonha que tinha de si mesmo.

Mas um dia isso mudou. Alguém jogou uma bomba atômica e matou todo mundo, do mundo inteiro. Até as joaninhas morreram. Só ficaram as baratas. E agora a barata se sente infeliz porque está muito solitária.

Categoria: Solidão  Tags: ,  6 comentários
03
set
Postado por Paulinha

“[...]A abertura era negra, de uma escuridão quase matéria. Aquelas trevas eram, na verdade, uma qualidade positiva, pois escureciam as partes das paredes internas que deveriam ser reveladas, e exalava para fora como fumaça de sua prisão multimilenar, obscurecendo a olhos vistos o sol, ao escoar para o céu inchado e convexo num adejar de asas membranosas. O cheiro que exalava das profundezas recém-abertas era intolerável, até que Hawkins, que tinha ouvidos muito aguçados, pensou ter ouvido um chapinhar repulsivo no interior. Os homens ficaram atentos e ainda tentaram ouvir quando a Coisa se arrastou, babando, à vista de todos, espremendo Sua imensidade verde e gelatinosa pela passagem escura para o ar exterior infecto daquela venenosa cidade de loucura.

A caligrafia do pobre Johansen quase estancou neste ponto. Dos seis homens que jamais retornaram ao navio, ele acha que dois sucumbiram de puro pavor naquele maldito instante. A Coisa não pode ser descrita — não há linguagem para abismos tão imemoriais de pavor e demência, contradições tão grandes de matéria, força e ordem cósmica. Uma montanha caminhado ou se arrastando. Deus! Não espanta que, por toda a Terra, um grande arquiteto enlouquecesse e o pobre Wilcox delirasse de febre naquele instante telepático! A Coisa dos ídolos, a cria verde e gosmenta vinda das estrelas, tinha despertado para reclamar o que era seu. As estrelas estavam posicionadas uma vez mais e o que um culto ancestral não tinha conseguido deliberadamente, um grupo de inocentes marinheiros tinha obtido por acidente. Após eras incontáveis, o poderoso Cthulhu estava livre outra vez, e ávido de prazer.[...]“

Retirado do conto O Chamado de Cthulhu, de H.P. Lovecraft, o cara que inspirou Stephen King.